domingo, 26 de julho de 2009

A PERFEIÇÃO É POSSÍVEL?



Perfeição é algo definitivamente inatingível. Pelo bem ou pelo mal isso é o que nos faz melhorar cada vez mais, galgando uma postura que seja, pelo menos, digna de se honrar posteriormente. Mas ultimamente tenho pensado bastante se vale a pena se martirizar por conta desse alcance aproximado do perfeito.

Busca pelo corpo perfeito, alma gêmea, trabalho ideal, comida balanceada, príncipe encantado, flores intactas, casa arrumada, dia especial... São tantas as buscas pelo exímio que seria até perfeição relatar todas, e, isso, com certeza, não é o meu intento. Como disse no início dessa crônica: tenho pensando bastante se vale a pena investir na busca da completude.

Às vezes, vejo-me a observar as atitudes das pessoas. Alguém que oferece o lugar para uma senhora de idade sentar; um motorista que deixa gentilmente um pedestre passar; outro que dá uma esmola a um mendigo; aquele outro que cede seu lugar na fila de espera; pessoas que emprestam dinheiro ou livros a amigos; outras que os acompanham quando doentes. Mas, acreditem, a busca rígida pela perfeição gera muita frustração, pois já ouvi muitos desses protagonistas se queixarem depois: ”Ah, ofereci o lugar e nem pediu obrigado”; ”Não empresto mais dinheiro a ninguém, além de demorar para pagar, nem agradece”;”Olha como me devolveu meu livro, todo rasgado!”.

Por isso que a busca da perfeição dói, envelhece, nos faz exceder nos nossos possíveis. Sempre restará um gostinho de: “poderia ter feito de outra forma”. E não é diferente quando queremos ser os melhores. Pelo contrário, é pior, pois estamos constantemente nos comparando para alcançar o ápice de nossa magnitude. Sempre queremos chegar em primeiro lugar: no caixa para pagar as contas, no concurso para conseguir um emprego melhor, no vestibular, na vida de quem amamos...

Acredito que algumas pessoas consigam cem por cento no esmero do trabalho ou serem boazinhas o tempo todo. Mas quanto isso custa? Não ter feriado ou final de semana?Não conseguir ficar boa parte do tempo com a família? Não ter tempo para amar? Deixar de lado à saúde?Ficar resmungando boa parte da vida? Ao se tentar replicar essas questões, tenta-se, também, responder o conceito de perfeição.

Como me comprometi que iria pensar a respeito do querer ser perfeito, termino dando a minha réplica: se formos inteligentes a ponto de compreendermos que o mais importante não é sermos perfeitos e sim aproveitar cada minuto da vida - dando o nosso melhor - buscaremos o equilíbrio das nossas limitações e alcançaremos,assim, “a perfeição”, ou seja, seremos felizes sem culpa.

Denise Dias de Carvalho Sousa

Um comentário:

Lice Soares disse...

Parabéns. Concordo com você. A felicidade e a nossa pAz, estão exatamente na simplicidade, nas pequenas coisas, à primeira vista, dotadas de pouco valor, mas que nos permitem ser verdadeiramente
humanos e felizes.
Um beijo no coração.