sábado, 15 de agosto de 2009

DETETIVE ÀS AVESSAS


Não consegui acreditar no que vi. Os quartos estavam trancados. Chamei por alguém, mas o silêncio continuou. A cozinha estava toda revirada. Panelas amassadas, pratos quebrados, talheres no chão, tudo em desordem. Ouvi um barulho de torneira aberta. O som vinha do banheiro. Parei um pouco. Senti um terrível calafrio. Achava que não deveria ir até lá. Mas a curiosidade misturada ao medo me fez mexer as pernas, que quando me dei conta, estava frente à porta.


Fui abrindo lentamente. Meus olhos piscavam. O suor escorria. Estava enrubescido. Criei coragem e puxei a cortina, que de tão velha despencou, levando-me ao chão molhado. Desliguei a torneira e enxuguei o rosto. Dei aquela risada amarela. Talvez se tivesse alguém por ali a cena fosse cômica. Como o momento era trágico, meu drama continuou.


Dessa vez resolvi ir à sala de estar. Queria ter certeza de que aquela situação era real. Novamente um barulho esquisito. Vinha do armário de louças. Pensei: “Deve ser um bichinho qualquer; não vou fazer papel de bobo mais uma vez”. Olhei atentamente o ambiente e não percebi nada fora do lugar. “Como é que pode! Quartos fechados, cozinha bagunçada e aqui nada de estranho!” – fiquei encabulado a imaginar o que podia estar acontecendo.


Não estava mais agüentando aquela situação tão misteriosa. Resolvi então ligar para a polícia. Não podia continuar dando uma de detetive. E se a casa tivesse sido roubada?E se o ladrão seqüestrara os moradores? Ou pior: se ele os tivesse matado? Cruz credo! Tentei tirar aquele pensamento negativo da minha mente. Peguei rapidamente o telefone, mas para minha decepção não funcionava. Só podia ter sido o larápio que fizera aquilo. Ele voltaria, então.


Comecei a preparar o arsenal de espera. Faca, machado, corda. Catei tudo que pudesse intimidá-lo. Quando voltasse iria ter uma surpresa nada agradável. Sentei-me numa cadeira da cozinha, assim ele não saberia da existência de alguém na casa. Passei tanto tempo sentado naquela cadeira que acabei pegando no sono. Só me dei conta disso quando ouvi um barulho vindo do quintal. Pensei: “É ele! Agora é minha vez! A vez da caça!”.


Andei bem devagar e com todo cuidado para não ser percebido, abri a porta de supetão. Os confeites atingiram meu rosto e um coro uníssono começou: “Parabéns pra você!”. Quando me refiz da cena, não consegui acreditar no que vi: meu pai, minha mãe, minha irmã e os amigos mais íntimos, todos rindo da minha cara de bobo por eu não ter lembrado do meu aniversário.


DENISE DIAS

CAPRICHO DE MULHER


Em meio a flores e regaços


Sou deusa do pedaço


Parte do teu espaço


Denise Dias

domingo, 26 de julho de 2009

FORMAÇÃO DO TOPA PELA UNEB

A PERFEIÇÃO É POSSÍVEL?



Perfeição é algo definitivamente inatingível. Pelo bem ou pelo mal isso é o que nos faz melhorar cada vez mais, galgando uma postura que seja, pelo menos, digna de se honrar posteriormente. Mas ultimamente tenho pensado bastante se vale a pena se martirizar por conta desse alcance aproximado do perfeito.

Busca pelo corpo perfeito, alma gêmea, trabalho ideal, comida balanceada, príncipe encantado, flores intactas, casa arrumada, dia especial... São tantas as buscas pelo exímio que seria até perfeição relatar todas, e, isso, com certeza, não é o meu intento. Como disse no início dessa crônica: tenho pensando bastante se vale a pena investir na busca da completude.

Às vezes, vejo-me a observar as atitudes das pessoas. Alguém que oferece o lugar para uma senhora de idade sentar; um motorista que deixa gentilmente um pedestre passar; outro que dá uma esmola a um mendigo; aquele outro que cede seu lugar na fila de espera; pessoas que emprestam dinheiro ou livros a amigos; outras que os acompanham quando doentes. Mas, acreditem, a busca rígida pela perfeição gera muita frustração, pois já ouvi muitos desses protagonistas se queixarem depois: ”Ah, ofereci o lugar e nem pediu obrigado”; ”Não empresto mais dinheiro a ninguém, além de demorar para pagar, nem agradece”;”Olha como me devolveu meu livro, todo rasgado!”.

Por isso que a busca da perfeição dói, envelhece, nos faz exceder nos nossos possíveis. Sempre restará um gostinho de: “poderia ter feito de outra forma”. E não é diferente quando queremos ser os melhores. Pelo contrário, é pior, pois estamos constantemente nos comparando para alcançar o ápice de nossa magnitude. Sempre queremos chegar em primeiro lugar: no caixa para pagar as contas, no concurso para conseguir um emprego melhor, no vestibular, na vida de quem amamos...

Acredito que algumas pessoas consigam cem por cento no esmero do trabalho ou serem boazinhas o tempo todo. Mas quanto isso custa? Não ter feriado ou final de semana?Não conseguir ficar boa parte do tempo com a família? Não ter tempo para amar? Deixar de lado à saúde?Ficar resmungando boa parte da vida? Ao se tentar replicar essas questões, tenta-se, também, responder o conceito de perfeição.

Como me comprometi que iria pensar a respeito do querer ser perfeito, termino dando a minha réplica: se formos inteligentes a ponto de compreendermos que o mais importante não é sermos perfeitos e sim aproveitar cada minuto da vida - dando o nosso melhor - buscaremos o equilíbrio das nossas limitações e alcançaremos,assim, “a perfeição”, ou seja, seremos felizes sem culpa.

Denise Dias de Carvalho Sousa

10 LIVROS ESSENCIAIS PARA ADOLESCENTES

Fernando Meirelles, Moacyr Scliar, José Mindlin e outras personalidades brasileiras escolhem os livros fundamentais para adolescentes:


1- Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Quem indica (Milú Villela): "Machado de Assis mostra que um texto clássico resiste ao tempo e permanece vivo porque fala das questões fundamentais da existência. Obras do escritor devem constar do repertório de leitura de todos".


2-
Equador, de Miguel Sousa Tavares

Quem indica (Maitê Proença): "Gosto de autores com estilo próprio, marcante, de toda história bem contada. Li clássicos como Guerra e Paz, de Tolstoi, que não compreendi, pois meu pai me obrigava. Recomendo deixar livros como esse para mais tarde. Bons livros para começar a gostar de ler são os romances do escritor português Miguel Sousa Tavares: em Equador, por exemplo, aprende-se História, conhece-se um pais diferente, enquanto o leitor se delicia com um enredo primoroso".

3-
Feras de Lugar Nenhum, de Uzodinma Iweala

Quem indica (Zeca Camargo) : "Ao escolher um menino como narrador da história, o autor potencializa os horrores da guerra. É sua voz infantil que nos conduz pelo conflito; é ouvindo suas hesitações e pudores de criança que assistimos à sua transformação em 'fera'”.

4-
O Físico, de Noah Gordon

Quem indica (Viviane Senna) :"Não só tem um texto fluido e que prende a atenção do começo ao fim, como, ao descrever a trajetória do principal personagem na busca pelo desenvolvimento de sua vocação interior, o faz ainda traçando um panorama histórico espetacular da Europa medieval e do Oriente, próximo ao século XI. É uma verdadeira e inesquecível viagem no tempo".

5-
Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Quem indica (Maílson da Nóbrega):"Publicada pela primeira vez há setenta anos, a obra continua atual. Retrata o drama das secas do Nordeste e suas conseqüências sociais, incluindo a fome e as dificuldades de sobrevivência. Descreve o sofrimento dos retirantes com realismo e precisão, utilizando frases curtas e um estilo direto, ainda que empregue alguns vocábulos exclusivos do linguajar dos nordestinos do sertão. É o único livro de Graciliano Ramos escrito na terceira pessoa. A estrutura do romance permite a leitura independente dos seus capítulos".

6-
Uma Breve Introdução à Filosofia, de Thomas Nagel.

Quem indica (Eduardo Gianetti): "O livro é uma tradução What does it all mean? (Oxford, 1987), do filósofo norte-americano Thomas Nagel.Trata-se de uma obra perfeitamente clara e acessível a um público jovem, capaz de despertar o interesse pelas grandes indagações da filosofia".

7-
A Cidade e as Serras, Eça de Queirós

Quem indica (Alejandro Miguelez ): "Essa obra, assim como as demais leituras literárias obrigatórias do Vestibular da FUVEST, supera seu contexto, estabelecendo temas de discussão que podem ser atualizados e que pertencem a qualquer tempo. Ela também amplia o repertório básico de leitura de mundo e da criação humana (cultura), bem como cria um vocabulário dos elementos literários à disposição dos escritores".

8-
O Apanhador nos Campos de Centeio, de Jd. Salinger

Quem indica (Fernando Meirelles):"Foi leitura para o colégio e pegou toda a classe, pois falava sobre nossos sentimentos, sobre a revolta adolescente, sobre bebida, prostitutas, poesia e o cinismo dos adultos. Uma leitura marcante, que me despertou a vontade de ler mais".

9-
Capitães da Areia, de Jorge Amado

Quem indica (Moacyr Scliar):"Nesta história comovente, um grupo de jovens povoa e domina a capital da Bahia, vivendo de golpes e pequenos furtos. Divididas entre a inocência da infância e a crueza do mundo dos adultos, esses jovens têm de lidar com um cotidiano ao mesmo tempo livre e vulnerável. Os meninos crescem e encontram caminhos variados. O líder Pedro Bala decide lutar e assumir a tarefa de mudar o destino dos mais pobres".

10-
Contos Novos, de Mario de Andrade

Quem indica (José Mindlin):
"Ótimo exemplo de boa literatura e, por isso, sempre uma boa sugestão. Nesta obra, o autor modernista nos apresenta o aprimoramento do próprio modernismo, preservando a expressividade da linguagem genuinamente brasileira".

Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br

E sabe o que eu indico? (Denise Dias): MADAME BOVARY , de Gustave Flaubert. A partir desse romance a literatura nunca mais foi a mesma. O bovarismo surgiu e a possibilidade de se identificar com os personagens a ponto de querer viver suas vidas passou a ser uma constante na vida dos ardorosos leitores.

E VOCÊ, O QUE INDICA?COMENTE E OPINE.

sábado, 16 de maio de 2009

NOVATO E MATILDE

As histórias de Matilde e Novato são contribuições que, somadas a outras, propõem a discussão sobre o acolhimento e a convivência com as diferenças. De modo simples, cada história trata sobre a criança com deficiência e convida o leitor a refletir, sem a pretensão de ensinar, a compartilhar sentimentos e a dialogar com o coração.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

DE FORMA DIDÁTICA,MINDLIN ABRE SUA BIBLIOTECA


Há quem colecione tumbas egípcias milenares, como a artista plástica Yoko Ono, e quem faça coleção de livros raros, como José Mindlin. Colecionar, não importa o que seja, é uma paixão antiga como o mundo e quem se dá a esse hábito (muitas vezes dispendioso) gasta mais da metade de sua vida à procura dos objetos de seu desejo e nunca se sacia. No recém lançado No mundo dos livros (Agir, 104 pp., R$ 29,90), o empresário paulista José Mindlin, de 95 anos, conta um pouco de sua experiência como colecionador de livros. Ao contrário do seu Uma vida entre livros, em que detalha suas garimpagens em livrarias brasileiras e estrangeiras à procura de edições raríssimas - algumas com mais de 500 anos de publicação - em No mundo dos livros ele fica exclusivamente no campo didático e faz comentários sobre títulos, raros ou não, escritores e a função social da literatura.
Jornal do Brasil - 02/05/2009 - Por Duílio Gomes

quarta-feira, 22 de abril de 2009

PESQUISA REVELA AUMENTO NO ÍNDICE DE LEITURA ENTRE CRIANÇAS




Você sabia que 18 de abril é o Dia Nacional do Livro Infantil? Há uma boa notícia para comemorar essa data! A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada pelo Instituto Pró-Livro em 2008, mostra que o índice de leitura entre crianças acima de 5 anos cresceu. Segundo o levantamento, a taxa de leitura por pessoa foi de 4,7 livros lidos por ano. Em 2000, foi apenas de 1,8 livro.

O estudo também aponta que a maioria das obras lidas foi indicada pela escola (incluindo os didáticos). Entre os gêneros preferidos pela garotada estão a literatura infantil e a história em quadrinhos.

Outro dado interessante: crianças e jovens leem mais que adultos. Leitores entre 11 e 13 anos leem, em média, 8,5 livros por ano. Já entre as pessoas na faixa etária dos 30 anos, a taxa cai para 4,2 livros.

A leitura de livros na infância é muito importante porque é a porta de entrada para mundo da escrita. Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA explica: “Para as crianças pequenas, a escrita é apenas um conjunto de marcas em folhas de papel. Um adulto, ao ler uma história para crianças, faz com que essas marcas ganhem vida e os pequenos tenham acesso a tudo que mora dentro dos livros, como os contos de fadas e as lendas”.

Patrícia Giuffrida (novaescola@atleitor.com.br)

terça-feira, 14 de abril de 2009

BIENAL DO LIVRO NA BAHIA CONTA COM A PARTICIPAÇÃO RECORDE DE AUTORES

Veja abaixo alguns dos autores que estarão presentes neste grande encontro da literatura.
CIPRIANO LUCKESI
Professor da UFBA de 1971 a 2002 e especialista em avaliação da aprendizagem escolar, Cipriano Luckesi dedica sua carreira e suas obras à filosofia da educação, à teoria do ensino e à didática.Agenda: Sessão "A educação pode promover inclusão social?", com Cipriano Luckesi, Alba Bagdeve e Jorge Portugal. Dia 22/04, às 18h30, na Arena Jovem Oi.
LUIZ RUFFATO




JOÃO GILBERTO NOLL

GILBERTO DIMENSTEIN


FREI BETTO


Escritor e religioso dominicano, Frei Betto é uma das vozes mais ativas pela justiça social na América Latina. Em 1986, foi eleito Intelectual do Ano pela União Brasileira de Escritores. Entre diversos prêmios, seus livros "Batismo de Sangue" (1982) e "Típicos Tipos - perfis literários" (2005) foram agraciados com Prêmio Jabuti.Agenda: Sessão "É possível acreditar em Deus?", com Frei Betto e Makota Valdina. Dia 23/04, às 18h30, na Arena Jovem Oi.


ELISA LUCINDA


Poeta, atriz e cantora, Elisa Lucinda defende a poesia como ferramenta indispensável dentro da vida cotidiana. Com 9 livros publicados entre prosa e poesia, Elisa recebeu o Prêmio Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) com o título "A Menina Transparente" - sua estreia na literatura infantil. Agenda: Sessão "Amor à primeira poesia", com Elisa Lucinda e Rubem Alves. Dia 23/04, às 20h, no Café Literário.

FONTE: FAGGA EVENTOS -08/04/09


domingo, 12 de abril de 2009

FAZER POESIA



Fazer poesia é concretizar peraltices com as palavras
é montar os alicerces de uma casa no gelo
é trabalhar com uma lógica sem nexo

Fazer poesia é alimentar-se do ar
é brincar no mundo de contos e duendes
é navegar em oceanos sem lentes

Fazer poesia é, como de resto a literatura,
buscar essências coloridas e atípicas
imensuráveis , esvoaçantes , infinitas

Fazer poesia é estar no mundo
de uma realidade ficcional
dos bens não-materiais
da livre gratuidade

Fazer poesia é não buscar valores,
medidas
e cálculos

É sentir o momento,
o espaço,
os sentidos

Fazer poesia é sentir-se livre
Para dizer o encanto e o desencanto
O bem-querer e o não-querer

Fazer poesia é entregar-se ao lúdico
Renovar palavras , seres, a vida.

Denise Carvalho

sexta-feira, 10 de abril de 2009

APROVADA CESTA BÁSICA DE LIVRO


Conforme matéria publicada pela Agência Brasil, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal aprovou na terça-feira projeto de lei, que autoriza o governo federal a criar o Programa Cesta Básica do Livro para garantir um acervo mínimo de livros para famílias de estudantes matriculados na rede pública. Conforme o projeto, apresentado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) em julho do ano passado, cada família com filhos de 6 a 18 anos, matriculados no ensino fundamental ou no ensino médio, terão direito a dois livros de literatura, artes ou ciências por bimestre letivo (oito livros ao ano). O projeto, aprovado em caráter terminativo na comissão do Senado, segue para deliberação da Câmara dos Deputados.

PublishNews - 09/04/2009 - Por Redação

GOVERNO VAI LIBERAR R$ 150,00 MILHÕES PARA LIVROS


A boa notícia da semana veio da boca do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo: o governo federal vai restituir os R$ 150 milhões que foram cortados dos programas de aquisição de livros pelo Congresso no final do ano. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, dia 8, em Brasília, durante audiência com os representantes do mundo do livro, informa Galeno Amorim. O Ministério do Planejamento entendeu a urgência e a necessidade de corrigir o erro gerado no Legislativo. No Blog do Galeno ele destaca alguns estragos que estavam previstos caso o corte imposto pelo relator do orçamento fosse mantido.
Blog do Galeno - 09/04/2009 - Por Galeno Amorim

RECESSÃO ALIMENTA DEMANDA POR ROMANCES


Em uma recessão, o que as pessoas mais precisam é de um final feliz. Em um momento no qual as livrarias fazem o possível para atrair leitores, as vendas de romances ultrapassam a maioria das categorias de livros e dão alguma esperança a um mercado em dificuldade. A Harlequin Enterprises, principal editora de romances dos Estados Unidos, relatou lucros no primeiro quadrimestre de até 32% em relação ao mesmo período do ano passado, e sua chefe executiva Donna Hayes afirmou que as vendas no começo deste ano continuam sólidas. Enquanto a venda de ficção para adultos permaneceu constante no ano passado, de acordo com a Nielsen Bookscan, que acompanha a venda de cerca de 70% dos livros do país, os romances venderam 7% a mais depois de anos de estabilidade.

Último segundo - 08/04/2009 - Por The New York Times

domingo, 1 de março de 2009

AMOR-PERFEITO


Ser amada por quem se deseja
É mergulhar numa espuma de regozijos
Fluentes, cadentes e harmônicos

É sorrir em soluços de volúpias vivas de entusiasmo
Emergir de planos compassados de imaginação
Que me levam à loucura
Ao devaneio
Ao que quero , ao que desejo
Ao que não posso, mas incito

É alimentar-se do corpo
Do ensaio entretecido da intensa inclinação
Dos momentos furtivos de emoção
Do lavabo de chamas ardentes

Ser amada por quem se deseja
É viver um minuto como se uma eternidade fosse
Mas também, é às vezes ter que enxergar o apagar da chama
A vela que insiste em desacordar o brilho

Assim será lembrado nosso amor-prefeito
E como disse Vinícius de Moraes:
“que seja infinito enquanto dure”

Denise Dias de Carvalho Sousa

CERTEZA QUE ME FORTALECE





em meio a um turbilhão de papéis
termino minha labuta
volto para casa
encontro-te linda e perfumada
a vida retorna com seu brilho
seu sorriso luminescente
sua boca complacente
seu corpo a me abraçar
sinto-me vivo
e pujante
inteiro para enfrentar o dia
completo para afagar-te à noite
você, minha certeza mais completa

Denise Dias de Carvalho Sousa

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

ESTÁ NO AR A REVISTA DA FAEEBA




O n. 30 (jul./dez. 2008) da Revista da FAEEBA: EDUCAÇÃO E CONTEMPORANEIDADE já está no site:
http://www.revistadafaeeba.uneb.br/ . Basta clicar na capa que é mostrada na página inicial, a fim de fazer o download do conteúdo inteiro da edição.
Nessa edição há a publicação do resumo da minha dissertação de Mestrado:DO CAIXOTE À PRATELEIRA:UM OLHAR INVESTIGATIVO SOBRE AS MULHERES-LEITORAS DO CURSO DE LETRAS.

Quem se interessar em publicar, seguem abaixo os temas e os prazos dos próximos números (32 a 36) :


Temas e prazos dos próximos números
da Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade

Tema

Prazo de entrega dos artigos

Lançamento previsto

32

Educação e Representações Sociais

30.04.09

setembro de 2009

33

Educação Indígena

30.08.09

março de 2010

34

Educação e Movimentos Sociais

30.04.10

setembro de 2010

35

Educação e Religiões

30.08.10

março de 2011

36

Educação Rural

30.04.11

setembro de 2011

Enviar textos para Jacques Jules Sonneville – jacqson@uol.com.br

Um forte abraço,
Denise

EU, PARTE DE TI





se me fosse dado um ano

mimava-te em versos

prendia-te em rimas e gestos



se me fosse dado um mês

abraçaria-te ardentemente

ao som de bardos e beijos envolventes



se me fosse dado um dia

uniria meu corpo ao teu

jogando pelo caminho

as horas inúteis

que derramei pela estrada afora



se me fosse dado uma hora

eu nem olhava o relógio

rogava-te: faze-me mulher

torna-me viva

imortal no amor

desejável na paixão



se realmente te tivesse

faria de ti um homem

e eu, mulher por inteira





DENISE CARVALHO
Publicado no Recanto das Letras em 19/01/2009
Código do texto: T1392626

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O VENDEDOR DE HISTÓRIAS

Em uma terra distante morava um vendedor de histórias. Mas, ao contrário do que se imagina, ele não conseguia vender nenhuma de suas histórias.Chegava perto da menininha triste e dizia:

_ Eu conheço uma história de uma menina triste, que ficou contente quando encontrou amigos que compartilharam seus brinquedos e sua amizade. Quer comprar essa história?

- Não! - respondeu a garota.

Mais adiante encontrou o vendedor de leite e disse:

- Meu amigo, você que está aí sentado porque machucou o pé e não pode vender leite hoje, quer ouvir a história de um vendedor que machucou a mão, ficou uns dias sem vender e ao se recuperar vendeu o dobro do que vendia antes?

- Não! – respondeu o leiteiro.

Mas o vendedor de histórias não desistia:

-Dona Mariquinha, a senhora que está aí sentada na porta, sem nada fazer, quer ouvir a história da mulher que não trabalhava e por ficar na porta de sua casa conseguiu ajudar a muitos que ali passavam, dando, assim, sentido a sua vida sem graça?

-Não! – respondeu a senhora.

Como era muito perseverante, o vendedor de histórias continuou sua caminhada atrás de alguém que pudesse comprar suas histórias.

Andou mais um pouco e percebeu um aglomerado de pessoas ao redor de um teatro de rua.Parou para escutar o que estava contando o grupo mambembe. Percebeu que a encenação ao ar livre embevecia os ouvintes:

- E assim, depois que Isabel encontrou sua família ficou mais aliviada. Voltou a comer, a conversar, a brincar, a sorrir novamente. – finalizou a história, um dos artistas do teatro.

- Mas, se vocês pensam que parou por aí, não acabou não! Quando Isabel estava envolta de tanto contentamento, apareceu o Zé Assombração e...

Todos os presentes aplaudiram exaustivamente de pé, menos o vendedor de histórias, que aborrecido disse:

-Não gostei dessa história! Não tem final! Não se sabe o que vai acontecer com Isabel!

Um dos artistas sorridentemente replicou:

- Ora meu amigo, se contarmos o que vai acontecer com Isabel, onde você entra nessa história?

-Como assim? – indagou o vendedor.

-Quero dizer que, se contarmos tudo, roubaremos a sua imaginação. E a graça de uma história é justamente o jogo do mistério: pode ser isso, pode ser aquilo. – argumentou o artista.

O vendedor nada mais disse. Apenas pegou seu baú de histórias e saiu novamente a procurar compradores para elas.

Encontrou bem aquela menininha triste do começo da história:

-Ei, você não é aquela garota que eu encontrei dias atrás toda tristonha?

-Sim, sou eu. – respondeu prontamente a menina.

-Mas agora você está feliz, não é? – perguntou o vendedor.

-Sim, estou. Mas se alguém me contasse uma história interessante, eu ficaria mais contente ainda.

O vendedor de histórias pressentiu que aquela era a sua oportunidade:

-Eu vendo histórias, quer comprar uma?

-Não sei do que se trata. - redargüiu a menininha.

O vendedor orgulhosamente respondeu:

-Só lhe digo uma coisa: é uma história que tem circo e muito palhaço. E aí, quer comprar?

A menininha encheu-se de curiosidade, porque queria saber o que acontecia naquele circo e quais eram as piadas contadas pelos palhaços. Então, não perdeu tempo e respondeu:

-Claro que sim! Conta, conta, conta.

E foi assim, com muito saber e sabor, que o vendedor de histórias conseguiu vender sua primeira história.




Denise Dias de Carvalho Sousa
Publicado no site: O Melhor da Web em 06/01/2009
Código do Texto: 11103