Em meio a flores e regaços
Sou deusa do pedaço
Parte do teu espaço
Denise Dias

Perfeição é algo definitivamente inatingível. Pelo bem ou pelo mal isso é o que nos faz melhorar cada vez mais, galgando uma postura que seja, pelo menos, digna de se honrar posteriormente. Mas ultimamente tenho pensado bastante se vale a pena se martirizar por conta desse alcance aproximado do perfeito.
Busca pelo corpo perfeito, alma gêmea, trabalho ideal, comida balanceada, príncipe encantado, flores intactas, casa arrumada, dia especial... São tantas as buscas pelo exímio que seria até perfeição relatar todas, e, isso, com certeza, não é o meu intento. Como disse no início dessa crônica: tenho pensando bastante se vale a pena investir na busca da completude.
Às vezes, vejo-me a observar as atitudes das pessoas. Alguém que oferece o lugar para uma senhora de idade sentar; um motorista que deixa gentilmente um pedestre passar; outro que dá uma esmola a um mendigo; aquele outro que cede seu lugar na fila de espera; pessoas que emprestam dinheiro ou livros a amigos; outras que os acompanham quando doentes. Mas, acreditem, a busca rígida pela perfeição gera muita frustração, pois já ouvi muitos desses protagonistas se queixarem depois: ”Ah, ofereci o lugar e nem pediu obrigado”; ”Não empresto mais dinheiro a ninguém, além de demorar para pagar, nem agradece”;”Olha como me devolveu meu livro, todo rasgado!”.
Por isso que a busca da perfeição dói, envelhece, nos faz exceder nos nossos possíveis. Sempre restará um gostinho de: “poderia ter feito de outra forma”. E não é diferente quando queremos ser os melhores. Pelo contrário, é pior, pois estamos constantemente nos comparando para alcançar o ápice de nossa magnitude. Sempre queremos chegar em primeiro lugar: no caixa para pagar as contas, no concurso para conseguir um emprego melhor, no vestibular, na vida de quem amamos...
Acredito que algumas pessoas consigam cem por cento no esmero do trabalho ou serem boazinhas o tempo todo. Mas quanto isso custa? Não ter feriado ou final de semana?Não conseguir ficar boa parte do tempo com a família? Não ter tempo para amar? Deixar de lado à saúde?Ficar resmungando boa parte da vida? Ao se tentar replicar essas questões, tenta-se, também, responder o conceito de perfeição.
Como me comprometi que iria pensar a respeito do querer ser perfeito, termino dando a minha réplica: se formos inteligentes a ponto de compreendermos que o mais importante não é sermos perfeitos e sim aproveitar cada minuto da vida - dando o nosso melhor - buscaremos o equilíbrio das nossas limitações e alcançaremos,assim, “a perfeição”, ou seja, seremos felizes sem culpa.
Denise Dias de Carvalho Sousa


CIPRIANO LUCKESI
JOÃO GILBERTO NOLL
GILBERTO DIMENSTEIN
FREI BETTO
ELISA LUCINDA
Poeta, atriz e cantora, Elisa Lucinda defende a poesia como ferramenta indispensável dentro da vida cotidiana. Com 9 livros publicados entre prosa e poesia, Elisa recebeu o Prêmio Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) com o título "A Menina Transparente" - sua estreia na literatura infantil. Agenda: Sessão "Amor à primeira poesia", com Elisa Lucinda e Rubem Alves. Dia 23/04, às 20h, no Café Literário.
FONTE: FAGGA EVENTOS -08/04/09Fazer poesia é concretizar peraltices com as palavras
é montar os alicerces de uma casa no gelo
é trabalhar com uma lógica sem nexo
Fazer poesia é alimentar-se do ar
é brincar no mundo de contos e duendes
é navegar em oceanos sem lentes
Fazer poesia é, como de resto a literatura,
buscar essências coloridas e atípicas
imensuráveis , esvoaçantes , infinitas
Fazer poesia é estar no mundo de uma realidade ficcional
dos bens não-materiais
da livre gratuidade
Fazer poesia é não buscar valores,
medidas
e cálculos
É sentir o momento,
o espaço,
os sentidos
Fazer poesia é sentir-se livre
Para dizer o encanto e o desencanto
O bem-querer e o não-querer
Fazer poesia é entregar-se ao lúdico
Renovar palavras , seres, a vida.
Denise Carvalho





| Nº | Tema | Prazo de entrega dos artigos | Lançamento previsto |
| 32 | Educação e Representações Sociais | 30.04.09 | setembro de 2009 |
| 33 | Educação Indígena | 30.08.09 | março de 2010 |
| 34 | Educação e Movimentos Sociais | 30.04.10 | setembro de 2010 |
| 35 | Educação e Religiões | 30.08.10 | março de 2011 |
| 36 | Educação Rural | 30.04.11 | setembro de 2011 |
Enviar textos para Jacques Jules Sonneville – jacqson@uol.com.br

Em uma terra distante morava um vendedor de histórias. Mas, ao contrário do que se imagina, ele não conseguia vender nenhuma de suas histórias.Chegava perto da menininha triste e dizia: