domingo, 3 de agosto de 2008

ÓTICA DE UMA LEITORA




Nossos sonhos se refugiam nos livros para não morrermos de frio, de tédio e de frustrações


Sem uma linguagem castiça, o texto se preconiza


Perante o vernáculo sem jaça, a imitação e a cópia se esvaem


As imagens e os usos da língua – em especial a modalidade literária – não sobrevivem maniatadas


As condições para sua gênese é o livre arbítrio


Assim, o frio, o tédio e as frustrações se ocultam no breu do azedume


E o leitor insubordina-se e espalha-se pelo universo grandiloqüente da imaginação.


DENISE DIAS DE CARVALHO SOUSA

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

CAPITU EXPLICADA


Capitu (Cosac Naify, 200 pp., R$ 34), de Paulo Emílio Sales Gomes e Lygia Fagundes Telles, se vale do recurso de flashbacks para recriar, pela linguagem plástica das imagens, os motivos que levaram a adolescente Capitu a conceber um plano de casar-se por interesse e as razões de sua possível infidelidade. Terceiro volume da coleção Paulo Emílio Sales Gomes, iniciada pela Cosac Naify em 2007, Capitu é um belo roteiro para cinema que reconta um dos maiores clássicos da literatura brasileira: Dom Casmurro, de Machado de Assis. A edição inclui posfácio de Lygia Fagundes Telles, que relembra as circunstâncias em que foi redigida sua primeira e única parceria com Paulo Emílio, sob a ditadura militar, além de apêndice, escrito especialmente para a edição por Augusto Massi, que reúne um conjunto de anotações de Paulo Emílio para dois cursos de pós-graduação na USP, permitindo ao leitor entrever, na visão do crítico, os esquemas para a compreensão de Machado de Assis.
Publishnews - 01/08/2008

NOVO 'HOUAISS' ADIANTA REFORMA ORTOGRÁFICA



Ideia? Cinquenta? Alguem? As grafias não estão erradas. Pelo menos não de acordo com a reforma ortográfica da língua portuguesa, que passa a vigorar em janeiro de 2009. Os leitores terão uma noção mais clara do que muda com a nova edição do Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Objetiva, 976 pp., R$ 34), de Antônio Houaiss e Mauro de Salles Villar, o primeiro dicionário brasileiro a contemplar integralmente a nova lexicografia. Os portugueses, que passarão por uma reforma mais ampla do que os brasileiros, tiveram primeiro um dicionário atualizado, o Novo Dicionário da Língua Portuguesa (Texto Editores). Mauro Villar, diretor do Instituto Houaiss e co-autor da nova edição ao lado do próprio Antônio Houaiss (lingüista morto em 1999 e um dos idealizadores da reforma), ressalta a importância de o dicionário ser lançado antes mesmo de a mudança entrar em vigor. "A partir do ano que vem, os livros didáticos já passam a conter as mudanças, e tanto as pessoas que preparam esses livros quanto os alunos que vão utilizá-los terão dúvidas sobre elas. Os dicionários têm que estar prontos para resolvê-las".
Folha de São Paulo - 01/08/2008 - por Jonas Lopes

quinta-feira, 31 de julho de 2008

BRASIL JÁ LEU 500 MILHÕES DE LIVROS



Os 95 milhões de leitores existentes no País já leram, em 2008, 500 milhões de livros, informa Galeno Amorim. A marca foi registrada na terça-feira, dia 29, pelo Livrômetro, o relógio da leitura no Brasil, instalado no blog do Galeno. Ao final do ano, vai apontar uma média nacional de 4,7 exemplares lidos por habitante, conforme apurou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro.

Blog do Galeno - 30/07/2008 - Galeno Amorim

quarta-feira, 23 de julho de 2008

CRESCE VENDA DE LIVRO INFANTIL NO MERCADO EXTERNO



Nem só de Paulo Coelho vive a literatura brasileira no exterior. O mercado editorial nacional faturou R$ 14,4 milhões com a venda de direitos autorais a outras nações em 2006, uma alta de 4,2 em relação ao ano anterior. O valor ainda é pouco representativo se comparado aos R$ 194 milhões desembolsados pelas casas editoriais para compra de obras estrangeiras. Mas há sinais de que a exportação de direitos autorais de obras brasileiras continua crescendo e que o livro infantil, em especial, atrai interesse dos estrangeiros. Editoras como Melhoramentos, Companhia das Letras, Callis e Cosac registram maior procura pela literatura infantil brasileira por parte de compradores estrangeiros. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) também percebeu a movimentação e assina nesta quarta-feira um convênio com a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para que as editoras do país vendam mais livros lá fora.
Valor Econômico - 23/07/2008 - por Beth Koike

terça-feira, 22 de julho de 2008

EDITORA LANÇA SELO DE LITERATURA FEMININA

A editora Planeta acaba de lançar no Brasil o selo Essência, inteiramente voltado para a chamada "literatura feminina". Os três primeiros títulos são A rosa do inverno, de Patricia Calbot, Eu pego esse homem, de Valerie Frankel, e O livro secreto do banheiro feminino, de Jo Barrett. Na Espanha, país-sede da Planeta, o selo existe há pouco mais de um ano com o nome de Esencia. No Brasil, o catálogo do selo Essência terá três linhas distintas: romance histórico (histórias de amor ambientadas dos séculos 17 a 19), romance contemporâneo (novamente histórias de amor, aqui com mais humor), e "chick lit" (romances que falam dos altos e baixos na vida amorosa e profissional da jovem mulher urbana). Em breve, o novo selo lançará o site, com mais informações sobre os livros e suas autoras
Folha de São Paulo - 19/07/2008

LIVROS INFANTIS EM CARROS DE POLÍCIA


Uma organização sem fins lucrativos de Wisconsin está equipando carros policiais de Illinois com livros infantis para que as crianças tenham algo a fazer enquanto seus pais "estiverem lidando com acidentes, incêndios, crimes ou outras crises."

Esqyuire (EUA) - 17/07/2008

LOBATO VANGUARDISTA


Nas resenhas que têm tratado do relançamento das obras infantis e adultas de Monteiro Lobato pela editora Globo, surpreende a freqüência com que se repetem as cantilenas de regionalismo, pré-modernismo, racismo, como se não fosse possível fazer uma releitura do autor, como aquela que nos anos 1960 "reinventou" o marco da Semana de Arte Moderna para atualizar Mário e Oswald de Andrade enquanto vanguarda brasileira. Anos antes de Macunaíma, a personagem de A menina do Nariz Arrebitado (1920), Lucia, já cedia espaço a uma boneca de pano precocemente macunaímica. Ou seria o contrário? Em Macunaíma (1928), traços do caráter de Emília estariam presentes? Há uma diferença irônica e uma divergência de enunciações que impedem um passo direto de Jeca Tatu a Macunaíma, mas a irreverência de Emília tem parentesco com o herói sem-caráter.

O GLOBO -19/07/2008 - por Eliana Yunes

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O VALOR DE UM AMIGO



Amigo não se guarda, convive-se com ele todos os dias,seja virtual, presencial ou no pensamento.


Amigo não é só para dizer flores ou mar de rosas, mas também para nos apresentar os espinhos, parte desagradável da vida, mas necessária para o engrandecimento do espírito.


Existem amigos que só servem para balada, outros para ouvir nossas lamúrias, ainda aqueles para compartilhar dos nossos segredos, e os que só lembram da gente na hora das aflições.


Existem amigos que também não sabem o valor que representam para nós. Mas o que importa mesmo é a existência deles em nossa vida.


Muitos amigos sabem onde estamos, com quem convivemos, o que fazemos e o que gostamos de beber e comer, mas não nos procuram.


Mas é delicioso saber que eles nos acompanham, só não se manifestam.


Amigo preto, branco, amarelo, ruivo. Não importa a cor ou a nacionalidade. O valor da amizade supera fronteiras.


Com ou sem dinheiro. Sem registro, sem destino, só com a certidão de andanças. Ainda assim, são nossos amigos.


Ás vezes, viajando em meus pensamentos ou para lugares magnânimos, penso: “O prazer que a mim está sendo concedido poderia ser multiplicado por mil, se aqui estivessem os meus amigos!”


Por isso eu digo: o que seria dos nossos mergulhos sem eles?!


E concordando com o nosso poeta Vinícius de Moraes:

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!


(Esse texto foi escrito por mim para homenagear o Dia do Amigo: 20 de julho.)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O Vestido da Vovó



VENDO VOVÓ

VÊ O VOVÔ

VI SEU VESTIDO

VOAR VELUDOSO

VOVÓ VENDO O VESTIDO

VERDE VISTOSO

VIBROU DANDO VIVA

DEU VOLTAS E VOLTAS

E A VIDA VOLTOU

VERDADEIRA E VIVAZ.

(SOUSA,Denise Dias de Carvalho.O vestido da vovó. IN:___ Meu mundo criança.Jacobina:Tipô Carimbos,2004, p.10)

MARIETA



Marieta menina

Menina Marieta

Moleca de madeixa

Magricela menina.

Marieta mamão

Marieta melão

Melodia melada

Meia-volta menina.

Menina meiguice

Macia menina

Mimada Marieta

Marieta menina.

De menina à mocinha

Marieta moderna

Mocidade modesta

Marieta mudou.

(SOUSA,Denise Dias de Carvalho. Marieta. IN:___ Meu mundo criança.Jacobina:Tipô Carimbos,2004, p.22)

A Bailarina


A bailarina é fina

Fica na ponta do pé

Com um giro só

Forma um "e"

Toda empinada

Não dá olhadas

Toda elegante

Com seu collant brilhante

Ah, quem me dera

Uma só olhadela

Mas a bailarina só gira

É que nem um pião

Como gira a bailarina

Como é suave o seu rodar

Gira,gira, bailarina

Que o mundo quer te olhar.

(SOUSA,Denise Dias de Carvalho A bailarina. IN:___ Meu mundo criança.Jacobina:Tipô Carimbos,2004, p.23)

Quando a Vida Renasce


Teu corpo são meus livros

Que gênero hei de escolher?

A página sempre aberta:amor,amor,amor

Livros embevecidos de carinhos cartilaginosos

Cobriram meu corpo em chamas

Deram-me abrigo

O retorno do riso contemplativo

O calor contíguo da paixão

A chance de renascer.

DENISE DIAS DE CARVALHO SOUSA


sexta-feira, 27 de junho de 2008

CRIANÇAS LÊEM MAIS POR DIVERSÃO QUE ADOLESCENTES


Um estudo sobre os hábitos de leitura dos jovens entre 5 e 17 anos nos EUA, o Kids & Family Reading Report, apontou que o tempo gasto na leitura por lazer, e não por obrigação, diminui a partir dos oito anos e continua a decair ao longo da adolescência. Ainda assim, um quarto do total dos entrevistados afirmou ler por prazer todos os dias.
Boletim PNLL - 23/06/2008

ESCOLAS INDÍGENAS RECEBEM LIVROS ESCRITOS POR ÍNDIOS


Alunos de aldeias do norte e nordeste do Brasil estão recebendo os primeiros exemplares de livros produzidos por professores índios. No total, são 42 títulos elaborados para as escolas indígenas de todo o país e distribuídos pelo Ministério da Educação. A previsão é que a distribuição da primeira remessa dos livros termine até o final de julho.
Boletim PNLL - 23/06/2008

SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONÉTICA (SBF) - X CONGRESSO NACIONAL DE FONÉTICA E FONOLOGIA

Estão previstas conferências e comunicações no âmbito dos seguintes sub-temas:

1. Fonética e Fonologia em abordagens teóricas modernas: perspectivas atuais .

2. Fonética e Fonologia no ensino : processo de alfabetização e aprendizagem de línguas estrangeiras.
3. Fonética e Fonologia nas pesquisas lingüísticas : prosódia , descrições de línguas e processos fonéticos e fonológicos diacrônicos .

4. Fonética e Fonologia na interdisciplinaridade: patologia da fala e procedimentos da síntese e do reconhecimento da voz .

5. Fonética Experimental: pesquisas recentes .

Maiores informações no Site da Sociedade Brasileira de Fonética : http://sbfonetica.vilabol.uol.com.br

terça-feira, 24 de junho de 2008

É PRECISO REFLETIR

Em uma terra muito distante viviam pessoas muito felizes: contentamento, harmonia, amor e altruísmo faziam parte da vivência daquele local.

Dona Bondade adorava dividir a concórdia e a coletividade se enchia de paz.

Dona Satisfação era o retrato da felicidade. Só andava sorrindo, impregnando o ambiente de prazer e entusiasmo.

Dona União queria todos juntos e sempre encontrava um jeito de reunir todos. Era uma formatura de um filho ali, um casamento de um sobrinho acolá. Até aniversário das bonecas das filhas era motivo de festa.

Dona Simpatia era uma afeição só. Admirava tudo e todos e a palavra aversão não fazia parte de seu vocabulário.

Dona Amizade sempre estava pronta para ajudar. Ouvia as lamúrias de um, consolava as perdas de outro... Dava carinho a todos e procurava sempre incitar o bem.

Mas um dia chegou àquele lugar Dona Separação, que ao vir tanto amor e harmonia juntos, indignou-se e começou a plantar a discórdia. As pessoas já não conseguiam se entender mais e a desavença tomou conta do lugar.

Dona Bondade já não sabia mais conjugar o verbo dividir. Acumulava só riqueza e fartura; não mais compartilhava.

Dona Satisfação era o retrato da insatisfação. Nada para ela bastava.Tudo estava imperfeito.

Dona União já não conseguia se entender mais com ninguém e a solidão agora era o seu lema.

Dona Simpatia de tanta exigência e execração tornou-se antipática e a aversão não só passou a fazer parte de seu vocabulário, como passou a ser a única palavra que conseguia infundir.

Dona Amizade fechou as portas de sua casa e a solidariedade foi embora da vida das pessoas.

Mas um dia chegou a Dona Sabedoria e com seu poder de sapiência começou a plantar a reflexão. Jogou algumas preciosidades da vida: justiça, sinceridade, ternura, apoio, compreensão, respeito... e a terra, que de feliz passara a triste, voltou não só a sorrir como começou a refletir. Perceberam que antes de aceitar novas idéias é preciso analisá-las para fazer jus a sensatez: sinônimo de sabedoria.

Dona Bondade, Dona Satisfação, Dona União, Dona Simpatia e Dona Amizade voltaram à felicidade e a paz coletiva recomeçou.

(SOUSA,Denise Dias de Carvalho.É preciso refletir. In: A Letra. Jacobina. Maio, 2005, p.9.)

sábado, 21 de junho de 2008

A ARTE DE ESCREVER

ESCREVER A VIDA

ESCREVER A MORTE

ESCREVER A DOR

ESCREVER A SORTE

ESCREVER SEU MUNDINHO

ESCREVER O UNIVERSO

ESCREVER A LÁGRIMA

ESCREVER O SUCESSO

ESCREVER, ESCREVER,ESCREVER...

AH, PENSO, LOGO ESCREVO.

(Denise Dias de Carvalho Sousa)

Procura-se imortal

Está aberta oficialmente a dança das cadeiras. Não é fácil vencê-la. Nunca uma vaga na Academia Brasileira de Letras foi tão cobiçada. Desde a morte de Zélia Gattai, em maio, aos 91 anos, a disputa pelo assento 23 da instituição está acirrada, com um número recorde de candidatos. A uma semana do fim das inscrições, 20 escritores já oficializaram a intenção de ocupar a cadeira emblemática, que pertenceu a Machado de Assis, o primeiro presidente da casa. A eleição, prevista para 21 de agosto, é uma incógnita: não há favoritos neste momento e os apoios estão fragmentados. "Estou muito satisfeito com o alto número de pretendentes", exulta o presidente Cícero Sandroni. "Isso comprova o prestígio da nossa instituição. Além do prestígio da Academia nos últimos anos, outros fatores podem ter contribuído para inflacionar as candidaturas. "Há muito tempo que não se abria uma vaga e os pretendentes se acumularam", avalia a pesquisadora cearense Isabel Lustosa, autora de História dos escravos, e uma das candidatas lançadas oficialmente à cadeira.
Jornal do Brasil - 15/06/2008 - por Bolívar Torres

ESPANHOL E INGLÊS ABREM MERCADO


Outra oportunidade que se abre para as editoras de didáticos é a licitação do Ministério da Educação para livros de inglês e espanhol. No segundo semestre deste ano, o MEC lançará um edital incluindo pela primeira vez livros dos dois idiomas para alunos de 5ª a 9ª séries e ensino médio, que receberão o material em 2011 e 2012, respectivamente. O governo comprará de uma só vez um total de 40,4 milhões de livros de inglês e espanhol. Algumas editoras que hoje não participam dos programas terão chances de se inscrever. A MacMillan, especializada em livros didáticos de inglês, já aguarda o edital do FNDE. Hoje, 40% de seus livros são adquiridos por alunos da rede privada.
Valor Econômico - 17/06/2008 - por Beth Koike